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Projeto do Campus Paranaguá é premiado com Medalha Paulo Freire

Publicado em 12/09/2017

O projeto Gestão de Territórios Tradicionais de Pescadores e Pescadoras Artesanais, do Campus Paranaguá, foi agraciado com a Medalha Paulo Freire, premiação promovida pelo Ministério da Educação com o intuito de divulgar, reconhecer e estimular experiências educacionais de alfabetização e educação de jovens e adultos. Oferecido à comunidade como um curso de Formação Inicial e Continuada (FIC), o projeto busca instruir os pescadores artesanais sobre noções básicas de gestão dos territórios tradicionais que habitam e no qual trabalham.

“É uma gestão de cunho sócio-ambiental, tendo em vista o conflito que existe entre as atividades dos pescadores artesanais e as finalidades das Unidades de Conservação presentes na ilha”, explica o professor Roberto Martins de Souza, coordenador do projeto. De acordo com o professor, o curso abrange temas como a natureza das Unidade de Conservação, demarcação e manejo dos territórios tradicionais e até mesmo a elaboração de documentos para que os pescadores artesanais possam requerer os seus direitos. “O curso fez com que os pescadores pudessem conhecer e aprofundar questões sobre os direitos étnicos e coletivos”, resume.

Da inscrição ao anúncio dos vencedores, o projeto passou por seis etapas de avaliação, incluindo uma visita in loco na ilha de Guaraqueçaba em que é desenvolvido. De acordo com o professor Roberto, os avaliadores do Ministério da Educação ficaram surpresos ao conhecer a realidade do local e as atividades do projeto. “Muitas pessoas ficam impressionadas ao conhecer as comunidades tradicionais da Região Sul, já que têm uma visão eurocêntrica sobre a população que aqui reside e a forma como ela se organiza. Outro ponto que impressionou os avaliadores foi o diálogo que o IFPR conseguiu estabelecer com as organizações locais, que viabilizou a realização do projeto”.

Roberto explica que a aproximação do grupo que executa o projeto com a comunidade de cerca de 30 famílias se deu de forma gradual e que o curso premiado deriva de ações anteriores. O envolvimento da comunidade foi decisivo para a formatação do curso FIC e a sua realização. “O PPC do curso foi construído de forma conjunta com o Movimento dos Pescadores Artesanais do Paraná (Mopear). Nos dias de aula, três por semana, os professores eram acolhidos na casa dos próprios estudantes. A própria comunidade preparava o ambiente para a realização das aulas”, exemplifica.

Sobre a premiação, o professor destaca a visibilidade que o projeto adquiriu. “É uma honra ganhar um prêmio que leva o nome de Paulo Freire, o maior educador brasileiro. Ficamos felizes que uma pequena experiência, em um local pouco conhecido, tenha tido esse reconhecimento. Mostra que é possível construir experiências semelhantes na Educação Profissional, de forma a levá-la àqueles que tiveram esse direito negado, em outros pontos do Paraná”, afirma.

O projeto Gestão de Territórios Tradicionais de Pescadores e Pescadoras Artesanais conta com a participação da professora Luciana Maestro Borges, do Campus Paranaguá, e dos professores Marcelo Varella e Letícia Duarte, da Universidade Federal do Paraná.

Medalha Paulo Freire

De abrangência nacional, a Medalha Paulo Freire, concedida desde 2005, contempla iniciativas de inovação metodológica ou curricular. A edição 2017 teve como tema Direitos Humanos, Diversidade, Inclusão e Cidadania. Além do IFPR, outras três iniciativas foram agraciadas:

  • Cultura Afro – Conselho Escolar E.M Agostinho Moreira e Silva – Fortaleza (CE)
  • Os educandos da EJA como agentes (trans)formadores nos 300 anos da história Cuiabana – Secretaria Municipal de Educação, Desporto e Lazer – Cuiabá (MT)
  • A Construção de Ações Cidadãs no Universo Escolar da Educação de Jovens e Adultos – Autarquia Municipal da Educação de Apucarana (AME) – Apucarana (PR)

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